Tinha dias em que pensava, no "porque não", agora é porque sim.
Antes só pensava na chegada, mas para isso é preciso partir.
Está na hora de partir para novas paragens novos amores, novos calores, provar outros sabores que o mundo tem para me oferecer.
- Agora sim.
Deixo pelas costas a vida que conheci, calores arrefecidos, eu, com as palavras que conheço de cotovelo roto e as paisagens tão familiares que já são os retratos que por eles passo e já nem ligo. Vou fazer novos retratos da vida, novas ilustrações mais coloridas, deixar os retratos na estante que já nem na moldura reparo, nem na sua cor esbatida que por eles o sol passa e deixa marca, gasta. Vou arranjar novos caminhos, novas personagens para lá colocar, ser também outra personagem com vidas que contenho.
Distanciar-me dele, que me olha de avesso por todos os males que lhe acontecem, sempre com desculpas por tudo. Deixar a frieza do seu toque, onde o calor se extinguiu por passos mal dados, procurar um novo amor que me faça sentir estar num novo caminho, numa nova aventura, que afinal, vale a pena.
O retrato dele fica onde está, ao lado de outros também já gastos, eu é que vou em busca de novos ventos, sem nada que me ligue ao passado, em busca de novos futuros. A vida por vezes aparece assim, tudo em aberto.
- Porquê? Perguntava ele de olhos caídos.
Um caminho livre para percorrer, agora é porque sim, porque existem coisas que só por sí já se justificam.
- Porque sim.

Parabens! Gostei deste excerto, fara a obra completa! :) Quando chega 'as bancas?
ResponderEliminarUm grande beijo,
LL