terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Elevador não me engole,



Cheguei ao elevador já com a mão na cabeça, desfiar a gravata e a arrastar a pasta pelo chão, a pensar que o elevador é um tempo curto e se este elevador parasse, é que era. Pensar em atirar as chaves para cima da mesa, deixar os sapatos pelo caminho, o casaco para um canto

- Arruma essa merda Toni!

e eu a atirar-me para o sofá, abrir uma cerveja, fumar um cigarro tudo em frente à televisão, nem precisava de estar a dar a bola, a televisão até poderia estar desligada.

- Raça do elevador não me engole!

Antes disto, aturar a má disposição do patrão:

- Com a crise, temos de trabalhar!

E o elevador que não pára o tempo, em que nós aqui entravamos aos amassos, eu a meter a mão em ti. Poderia ter escolhido um apartamento no último andar, mas não,

- Agora não posso discutir, eu sei… mas tenho de ir

E o trabalho a escassear, no inicio, óptimo mais tempo sobra, depois é lixado ter de inventar merdas para fazer, má disposição atrás de má disposição, quando um gajo é novo ainda vá, agora já chateia, o famoso Bullying do patrão,

- Dar corda aos sapatos! Temos de trabalhar! E um gajo a esconder a cabeça entre o monitor.

Até que ganhei coragem e agarrei o patrão pelos colarinhos e o chamei de:

-Sr. Engenheiro!

ou terá sido

- Cabrão,

E uma pessoa a ver o navio a afundar e nós é que somos os ratos corridos a pontapé,

- Acho que foi cabrão, pois vim embora na mesma.

- Como vou explicar em casa que fui despedido, este elevador que sobe e eu que me afundo entre os ombros.

- Raça do elevador não me engole!

Se calhar foi cabrão!

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