quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Salvo-te





Faltavam 5 dias para partir,

- Pena só nos encontrarmos agora, 
- Acredito no amor e o nosso esgotou, dizias tu referindo-te a ele, 
- O convite fica aqui, podemos jantar?
- Sim, em minha casa.

Senti o teu perfume ainda pela porta que nos separava, o teu sorriso quando me recebeste.
Recordo bem o teu anel a tocar no copo de vinho, 

- Lá do teu "Terroir", especialmente para tí.

- Pena só nos encontrarmos agora, 

Recordo-me  bem da tua casa, com livros e a máquina fotográfica pousada a um canto que retratavas tudo a teu jeito. Da música que fazia, dos teus desenhos espalhados, dos teus pés descalços.

- Tu  mereces que o amor nunca se esgote, dizias, colocando-me lá no alto.

Nunca esquecerei o teu perfume, o tom da tua pele, a sua textura suave e deslizante.

- Um dia que o teu amor se esgotar, eu salvo-te, dizias tu com a luz da chama a iluminar-te parte do rosto,

- Não precisas de mais nada, apenas de continuares a seres Tu,

A garrafa vazia, a sobremesa a derreter, a temperatura a subir, o teu vestido preto.

Eu lá no alto.

- A convivencia mata o encanto, atirei.

- Acredito na essência, dizia ela com erudição e o seu dedo longo e delicado acariciava o copo.

A mala estava pronta e tanto para levar comigo que não cabia em nenhum espaço deste mundo.

- Um dia que o teu amor se esgotar, eu salvo-te,

Existem noites onde cabe uma vida.

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