Sem compromisso, nenhum, sem responsabilidades, viver a vida com os pés levantados, não mostrar o interior negro e vazio para lá da concha.
- Porque não me dizes amo-te?
A minha cabeça de costas voltadas, sem te responder, a pensar nisto, naquilo, a identidade é apenas exterior, rodeada de gente bonita, sem ligações ao mundo profundo, sem palco não há vida.
- Tu? Esparramado no sofá! Vais onde?
Os homens encantam-se com meus gestos perdidos, são atraídos à minha ilha, por lá ficam e me defendem, degladiam-se. Ser a única personagem de um livro, onde a geração perdida ocupa esplanadas de café, viajar de Paris a Pamplona, sim, sei que não posso fugir de mim saltando de país para país, podemos então, passear entre o romântico e o libertino sem sair daqui, talvez amargamente, tal como talvez na manha seguinte nem me lembre dos prazeres passados.
- porque já não dizes amo-te?
As minhas costas não te respondem, as tuas facturas datadas, o teu credito nulo, as palavras murchas, até já nem te percebo. Não posso ir a lado nenhum sozinha, mas também não me posso comprometer contigo, atrás de uma mesa com solas gastas e colarinho comprometido.
A tua desculpa é o teu crédito negativo. Esse, que me deixa ficar mal.
Tal como The Sun Also Rises, também tu, talvez, te possas levantar.

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