Dei uns passos soltos queria livrar-me do vazio que me persegue, beber só de um trago a felicidade plena, despir o sobretudo da solidão. Lá estava ela, deitada, pensei que a reconheceria de qualquer ponto, qualquer virgula, de entre a multidão, entre a imensidão estendida da relva.
O seu afago no cabelo foi o farol que me encadeou, tantos mares passados, tantas tormentas e finalmente o porto onde posso deixar o barco solto, esse gesto leve levou-me até ela que dobrava a página com uma das mãos tão brancas que mergulhava no papel do livro, a outra segurava um cigarro.
Os seus pés brincavam com a relva descalços, a forma como se acariciavam um no outro faziam antever outras linhas entre lençóis. Pousou o livro quando olhou para mim e sorriu, de forma tão sedutora e ao mesmo tempo com um travo tão cândido no final, encorajou-me a procura-la a chegar-me até ela, beber do fundo doce que resta dos copos em festa e despir finalmente o sobretudo que carrego nos ombros.

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