Vou-te contar como abracei a tua mãe quando soube que tu vinhas a caminho, na incerteza como com a estranheza clara de ser filho, passar a ser pai, como na primeira ecografia fiz festas em ti prolongado pelo belo ser que te carrega, foi o momento,
- Vou-te contar os meus sonhos de capa espada, ela vai-te contar como nos apaixonamos e o seu sonho de encantar noites de som.
Ainda não sei bem quem és, mas vens aí na tua pequena capsula, depositamos nomes que mais tarde gostarás ou não, assim vais dar à terra.
Penso que está na altura de deixar o galho e amadurecer, vou-te contar como amo a tua mãe e como juntos te carregamos, vou-te contar uma biblioteca de letras que da estante me observam. Vou-te contar como vejo o amor, reflectido em ti e nela, ela vai-te falar de nós, nós vamos falar de ti.
-Importancia de Duchamp, o humor de Bansky,
Ainda não sei o teu nome, ainda não te conheço, apenas te deslumbrei ao fundo do escuro, ela sente-te, afaga-te e acaricia-te, eu, quero protege-la, a vocês.
Percebi que também já não posso ser miúdo, mas ainda posso chamar a tua mãe de
- Miúda!
Vamos te dizer que um dia me vais dar razão e como meu pai me disse
- Bem vindo ao meu clube! Com um afago lindo e paternal, tal como agora lhe dou razão em tanta coisa.
- de Oscar Wilde, de Picasso, Monet ou Toulouse Lautrec
Vou-te contar, vou amar-te vou amar-vos.
- de Lucian Freud ou Francis Bacon
Até seguires o caminho que é só teu, eu estarei na janela com a tua mãe a ver-te, e tal como ouvi um dia:
-Se te perderes olha a sombra que tens colada aos pés e procura a tua mais velha metade
- Vou amar-vos.

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