terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sussurravas graçolas



É verdade, sim, pensas que as garrafas que tinhas escondidas atrás do sofá que as tinhas acabado sem te aperceberes, pois bem, bebeste-as nos assados que fiz quando os meus pais vinham cá. Sim, pensavas que eu não sabia que te perfumavas todo para ires ter com alguma galdéria.

- Vou para a jogatina em casa do Raúl!

Raul, dizias tu com toda a lata, endireitando os colarinhos e a saíres com a camisa que eu passei a ferro, para ficares bem perante alguma, pois todo amarrotado já eu te conheço e a tua jogatina sei bem qual foi e quem perdeu foste tu, perdeste a fechadura da casa que agora é outra. Agora o Raúl coitado, sempre tão bem educado, lá está para beber e jogar.

- Vou à pesca com o Raúl!

Ou os telefonemas que recebias a horas estranhas e que sussurravas graçolas.
Agora vou eu beber ainda o fundo das garrafas boas que escondi para ocasiões especiais. Logo vem cá a Mitó e vamos beber as duas, talvez até lhe dê uma chave da nova fechadura, nunca se sabe quando vou precisar de auxílio, pois dizem que não se deve ficar só quando se está doente e as minhas tensões não estão lá grande coisa.  

Talvez até diga ao Raúl que é viúvo e anda sempre todo bem vestido, para vir até cá beber também do fundo das tuas garrafas e usar tudo que deixaste à espera, afinal apesar de já não ser novo até tem mais cabelo que tu e que se saiba não recebe nenhuma mulher, só se é pela calada, até se chegou a dizer que ele era... 

A não ser que te receba a ti, realmente... e que te tenhas andado a perfumar para ele... e as graçolas eram para ele e a jogatina realmente era outra sim, mas ... e a pescaria também... 

- O teu marido é muito amigo do Raul, não é?

Pronto, vou antes telefonar só à Mitó e ficamos cá as duas. Afinal o Raúl nunca me enganou.

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