O sinal fechado, tal como eu que fechei o meu coração, um dia.
Na mala do carro estão as minhas coisas, coisas de uma vida breve que tirei lá de casa, ainda por estrear, coisas, nada de especial.
Comecei a imaginar o nosso casamento, eu vestida de noiva e tu ao fundo, a envelhecer a ganhar barriga, perder cabelo.
- Será que ainda vou a tempo de cancelar tudo?
À medida que me imaginava a avançar pela igreja via as flores que carregava entre as mãos a murcharem, um apartamento cheio de recordações do Gerês, Nazaré, porcelanas e eu a limpar isso tudo com um esfregão, não com um esfregão, com uma borracha para apagar de vez com o que poderia ter sido o meu futuro, o nosso calor sem chama.
O vestido de noiva que ainda carrego quando o descolar do corpo vai tornar tudo mais leve.
- Não cancelo! Nesta altura já ele sabe que não apareci, por esta altura já está com a cabeça em retalhos, tal como o meu coração que nunca consegui juntar para amar alguém. Afinal, por quem me apaixonei um dia, nunca mais voltou para mim, apenas com um bilhete se despediu.
- Volto já!

Sem comentários:
Enviar um comentário