quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Domingo no mundo




Dias assim, onde o acordar é lento a estender-se pela tarde. Tu com uma camisa minha que mostrava as tuas pernas, atiraste-te para o sofá agitando os longos cabelos.
Seguravas um iogurte que com o riso te caiu no colo, não precisei de colher.

As horas a passar e tudo a parecer tão lento, tão harmonioso, encostares o teu corpo no meu e o genérico do filme a que não estávamos atentos, apenas sentir a presença um do outro, o afago quente interior.
Nós no sofá sem ligação ao mundo, a minha camisa ficava-te tão bem. Para lá da vidraça corre o tempo, mas a nós não nos interessa, apenas o nosso sofá, onde o tempo não acaba e se prolonga nas nossas mãos. 

Retive a imagem comigo até hoje do teu salto descobrindo a camisa e mostrando-te um pouco mais, em bicos de pés, com a bebida tão quente como o nosso corpo.

Depois o teu corpo quente encostado ao meu, a vidraça a embaciar, a camisa perdida no chão, o mundo lá fora e nós perdidos no mundo.

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