Ela vem… vai… mesmo a carne sendo a mesma. Vai mas deixa saudade, vai, mas está cravada no peito, vai mas não sai do sítio.
Quando vem instala-se em casa, tira os sapatos, calça os chinelos, estira-se no sofá, não sem antes causar as mais nobres e violentas sensações aos corpos agitados, colados em frenesim de mãos suadas de coxas quentes.
Quando vai, deixa a luz acesa num “volto já”, a luz não mirra porque existem as linhas já escritas, outras rasuradas, o peito continua a bater, a porta continua aberta…
A chave continua lá, porque quando vem queremos aprisiona-la dentro do corpo, não deixar sair, vem com tanta força que derruba o casco do barco, torna as ondas revoltas, come a areia, galga as margens do rio…
Que corre, que prossegue o seu caminho, que cura, que mata, que tropeça mas que se levanta, que colhe o vento, que abre as velas que incendeia o mastro, que cala, mas que também canta…
Vai, mas vem e quando vem, deixa tirar os sapatos e instalar-se à vontade, correr o seu caminho, afinal, quando vem é para nos levar com ele…
Como gosto de ir contigo.




