Diante de teus olhos me apresentei despido, sem valores, de bolsos rotos, nu, sem pejo algum. Nessa noite de volúpia em teu corpo rico fui destemido, teu ventre imortalizei e teu cheiro nu guardei, bem como o desenho do teu corpo ardente que sempre tinha almejado.
Mas acabei por sucumbir por lampejo em corpo quente, eu derretido na insegurança de um homem sem trono, guardo em mim esse abismo profundo sem amor algum.
Fui o Bobo de uma corte nocturna, agora que te encontro, eu sem trono nenhum diante dos teus olhos, tu menos ávida, com mais idade, eu sem nada para oferecer, tu sem nada para arrancar, rio que correu sem levar as margens consigo, fujo dessa vida sem sentido e com as mãos nos bolsos ainda rotos olho para trás e vejo o vazio de onde um dia me salvei, afinal teu reinado era vil, assim, diante de teus olhos me apresento com o desenho de teu corpo quente perdido numa gaveta qualquer sem fundo.

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